Sinto que a cada texto os meus sentimentos ficam cada vez mais expostos, e o engraçado é que não me sinto desconfortável com isso. Estou terminando de ler o livro da passagem aí de cima e parei nessa parte porque tive vontade de escrever sobre o segredo que eu faço questão de manter. A família que nenhuma das minhas amigas da faculdade conhece, o carinha que mais parece um fantasma para a maioria delas, e para falar a verdade eu prefiro assim.
Comecei a ler o livro ontem e repeti umas 10 vezes que o garoto do livro parecia com o meu garoto, em 400 páginas eu não tinha me emocionado nenhuma vez, mas nessa em particular foi inevitável. O meu garoto não perdeu a família inteira e eu não passei por nada tão trágico como a menina do livro, mas ambos eram igualmente sozinhos, sem expectativas e se escondiam em campos de força invisíveis onde a tristeza reinava. Porém, um dia, permitimos a entrada na vida um do outro e por mais que as pessoas digam que isso é passageiro, ou que histórias assim só acontecem em livros, eu não me importo. Sabem porque? Porque eu encontrei em uma pessoa só a família que sempre senti falta, ganhei a compreensão que nunca havia tido e a segurança que buscava incansavelmente, e quando encontrei pude descansar.
Eu me achava tão forte, achava que não precisava de ninguém para poder me sentir melhor, eu me bastava, até porque já havia sofrido tanto mesmo com pouca idade e nada mais iria me surpreender. Entendi quando a Emilia, personagem principal do livro, diz que já se sentia morta mesmo estando viva, porque era assim que eu me sentia. E estava errada. Depois que o meu Josh entrou em cena a vida ficou muito mais leve, as coisas começaram a se encaixar, as cores iam aparecendo uma de cada vez, e quando vimos já não era possível voltar atrás e acabar com aquilo que nos assustava, o amor. Então as coisas foram simplesmente acontecendo e eu amei isso, amei ter encontrado finalmente o meu lar no coração e nos braços de alguém exatamente como eu. Sempre digo que se não fosse por ele eu não teria enfrentado a maioria das coisas que surgiram e surgem. Não é assustador que o nosso porto seguro seja alguém que a qualquer momento pode ir embora? O meu desejo é que se um dia isso acontecer, que eu não volte a desistir de relacionamentos, que o meu campo de força não afaste as pessoas e que eu encontre a família que eu sei que posso ter, pois já tive.
Nós não fazemos as coisas que a maioria dos casais fazem, não somos casados, não somos nada convencionais, mas nos amamos mais do que nós e qualquer pessoa que olhe de fora possa compreender. A cumplicidade, o carinho, o amor e a proteção são maiores do que nós mesmos. Outro dia por algo que eu tenha pensado em fazer e ele me impede, pergunto: "Você realmente está cuidando de mim não é mesmo?" e ele responde: "Sim, porque parece que você não consegue fazer isso sozinha." Ali foi mais um dos vários momentos em que percebi que estava realmente "ferrada", o tempo em vez de nos separar, nos fundiu em uma só pessoa, nem precisaríamos mais de um papel, nem de alianças e nem de nada que nos diga que somos um do outro, que o nosso destino sempre vai nos unir, porque nós soubemos a partir do momento que sentimos falta um do outro pela primeira vez no MSN. É quase inacreditável que pessoas tão jovens pudessem passar por algo tão intenso, mas passaram e foram a "salvação" um do outro. Quem aí deseja que mais histórias assim aconteçam? Eu desejo, chega de livros, precisamos de mais histórias reais que provoquem esperança no coração de muitos que ainda não passaram por isso. Sei que o romance não é algo que ficou no século passado, que as pessoas ainda podem envelhecer juntas, que há possibilidades de felicidade à dois e sei que as pessoas se darão conta disso um dia. Por fim, deixarei a frase de um dos filmes que minha mãe e eu adoramos: "Mas existe outro tipo de amor, Amanda. Que te dá coragem para ser melhor do que é, não menos que isso. Que faz você sentir que tudo é possível. Quero que saiba que merece isso. Me escutou?"
Beijinhos, garota do blog." hahaha
