para apenas existir,
quando o coração pede pela vida,
e a vida pede paciência
para ser saboreada,
amada e entendida...
Ontem fui ao cinema com parte da minha família, mas de última hora decidi assistir outro filme, acabei ficando em outra sala, sozinha. Glycya, sendo Glycya. Vocês já fizeram isso? Eu sempre faço, sou a minha melhor companhia, ter aquela telona só para mim, rindo por prazer ao invés de fazer isso só para acompanhar a risada de quem está ao lado, sem ninguém comentando sobre alguma cena, apenas deliciando as duas horas de paz comigo mesma. Às vezes o corpo, mente, alma pedem paz, aquela pausa que se não for dada, é capaz de causar um tsunami dentro da nossa cabecinha. Voltei a me sentir dentro de mim novamente.
Quando o filme acabou a minha família ainda não tinha saído da outra sala, então avisei a minha mãe que ia dar uma olhada na livraria do shopping, e se caso ela saísse antes de eu voltar, não era para se preocupar. Então no caminho eu observei todas aquelas pessoas, fiz algumas amizades com as tias da limpeza, guardas de lojas e senhoras que me perguntavam se o livro que estavam olhando era bom, dei os meus melhores sorrisos. Na livraria eu me perdi entre os livros dos meus sonhos, sonhos porque são caros demais para comprar de uma vez só, observei uma moça tendo um colapso nervoso por não ter dinheiro para comprar os livros que queria, conversei com as atendentes, passei muito tempo lendo todos aqueles títulos e sorria comigo mesma, querendo dizer em voz alta: "eu estava com saudades de você, Glycya."
Algumas vezes as coisas ficam tão difíceis que esquecemos de nós, como Heidegger diz, acabamos nos perdendo no mundo, caindo de nós mesmos, muitas vezes só para agradar o "Eles" (outros), é muito difícil pararmos para analisar o nosso Eu e a realidade em que ele se encontra, mas quando isso acontece parece que todo aquele peso se dissipa, todo aquele emaranhado de pensamentos começam a se encaixar, e nos lembramos do quanto a vida é rara. Trabalhamos, estudamos, adoecemos, estamos sempre apressados, mas será mesmo que vale a pena? Atrasei o curso porque me recusei a entrar nessa pressa toda, talvez a minha calmaria venha disso, da recusa de girar com o mundo, de estar conectada comigo e quando essa conexão tende a romper, sempre dou um jeito de voltar à mim, retomar a consciência de quem eu sou, do que eu sou e do que eu posso fazer se estiver em mim. Sempre precisamos de um tempo para isso, mesmo quando não temos tempo, sempre precisamos. Então, desejo que você se reconecte, que volte a gostar e se divertir com sua própria companhia. Quero que você sinta o que eu sinto quando faço isso. Muitos beijinhos de luz, meus amores. ❤
