Há 2 anos estava ouvindo o testemunho da Perlla, aquela ex funkeira que cantava "Tremendo vacilão", quem é da minha época lembrará, era assim: "deu mole pra caramba, tremendo vacilão. Tá todo arrependido, vai comer na minha mão, pensou que era o cara, mas não é bem assim, agora baba, bobo, vai correr atrás de mim" lalalala, na época ela deu uma sumida e depois eu soube que ela tinha aceitado a Jesus e está até hoje na casa dele. Então, assisti o vídeo e no meio dele ela fala que estava no avião quando essa música da Cassiane começa a tocar, é o momento em que ela lembra que não nasceu para cantar funk, que ela ainda tinha compromisso no altar de Deus.
O testemunho ficou no meu coração e essa música também, chorei ouvindo-a, ouço desde criança mas nunca havia prestado atenção, na época eu estava em uma igreja que não me oferecia muito do que eu gostaria, minha relação e compromisso com Deus já dura 17 anos e quem me conhece sabe o quanto sou chata, eu via muita coisa errada, muita gente soberba, muito ego, muitos valores sendo perdidos, a doutrina da igreja mudando de acordo com a moda, e bem pouco de Deus. Vendo essas coisas, decidi me afastar das programações, deixei de participar do conjunto de jovens, só ia mesmo aos cultos de domingo, no início os líderes insistiam para que eu participasse, até que chegou o momento em que desistiram. Eu tinha me entristecido com os homens mas o meu pai do céu não tinha me feito nada, então eu continuava indo, por amor à ele, passei de 2 a 3 anos afastada, minha mãe viajava muito então eu continuava pois a igreja era perto de casa, dava de ir a pé e o meu digníssimo namorado, que na época tocava no instrumental, me deixava em casa depois dos cultos.
Quando minha mãe parou com as viagens e voltou a frequentar a igreja regularmente, também sentiu que ali não era mais o seu lugar e entendeu como eu me sentia. Meus dons e talentos não estavam sendo usados, eu não estava sendo uma boa serva, sentia falta de ser uma oferta agradável a Deus. Tenho promessa da parte dele, recebi várias revelações de profetas e todas elas diziam a mesma coisa: "Você tocará multidões e levará cura aos cansados e oprimidos. Eu te vejo passando no meio de doentes e à medida que você toca em suas mãos, eles são curados." Guardo essas promessas no meu coração, só que naquela igreja elas nunca iriam acontecer. Nós mudamos, encontramos uma bem pequena, com poucos membros e muito trabalho, me senti em casa novamente, me senti útil, me senti serva e uma oferta agradável. Nesse tempo aconteceu uma coisa curiosa, que me deixou feliz, uma senhora no lanche em frente do meu bloco perguntou se eu era evangélica, eu não estava usando nada que dissesse que era, de calça e camiseta de caveirinhas, sorri e perguntei: "porquê?", ela respondeu: "porque eu vejo Jesus em você, o seu "bom dia" foi sincero e você está sempre sorrindo para estranhos", aquilo me fez corar, não de vergonha, mas de alegria, pois depois de anos as pessoas começaram a ver Jesus em mim novamente. Esse ano completamos um ano nessa igrejinha, minha mãe é professora na EBD, eu sou quase a segunda secretária, participo de todos os conjuntos, ajudo em tudo, alguns fins de semana são mais puxados, outros não, mas Deus têm estado presente e está completando a sua obra em minha vida.
O meu dom não é cantar, não é pregar, dançar ou qualquer coisa assim, meu dom é amar, ajudar corações cansados, ainda estou orando pelo dom da cura e estou começando a tocar o coração de algumas multidões, mas ainda espero o dia em que direi a vocês que estou realmente curando enfermos. Vocês têm dons e talentos? Já entregaram a Deus? Quando converso com ele, sempre digo: faça a tua vontade na minha vida, meus dons estão aqui, a minha oferta está aqui e eu espero que seja agradável. Não sei o que vocês estão passando em suas igrejas, não sei se vocês estão se sentindo como eu me senti um dia, eu só espero que isso mude e que vocês realmente entreguem suas vidas no altar de Deus, e ele fará o melhor. Que sejamos todos ofertas agradáveis ao Senhor e que a glória dele seja manifesta em nós.