“Quero que lembre quem você é, apesar de todas as coisas ruins que estão acontecendo com você. Porque essas coisas ruins não são você. São apenas coisas que aconteceram com você. Precisa aceitar que quem é e o que acontece com você são duas coisas diferentes.”
(Colleen Hoover)
Os acontecimentos trágicos não têm dado trégua ultimamente, mas eis-me aqui e falarei justamente sobre isso: as coisas ruins que não são você. Elas são ponte para o seu crescimento. Essas coisas não podem arrancar nossos sentimentos, a não ser que deixemos. Você amava abraços mas alguém te magoou, agora você não abraça mais. Você amava sorrir mas as lágrimas derramadas por anos apagaram isso. Você caminhava todos os dias admirando a paisagem do caminho, as pessoas, mas alguém te assaltou, te agrediu, agora você não gosta de sair à pé ou sozinha. Você costumava acreditar em romances de livros e filmes, mas alguém veio bagunçou tudo dentro de casa, do seu coração, e quando foi embora levou a visão doce que você tinha, agora se convence dizendo que amor e romance não existem, é tudo ficção. Você esqueceu que essas coisas ruins não são você. São apenas coisas que aconteceram com você.
Já ouvi várias vezes de pessoas diferentes: "Você é diferente, você é sempre você. Pensa e age por você, não pelo outros." Porém, houve uma época em que eu deixava a frieza tomar conta sempre que algo ruim acontecia, sempre que alguém me magoava. Eu afastava as pessoas. Ao longo do tempo a frieza não se manifestava só nesses momentos, ela já estava fazendo parte de mim, e nem as pessoas que eu amava escapavam dessa. Apesar de estar protegida só esperando o próximo que tentaria me magoar, eu me sentia só, sentia uma necessidade imensa de me desarmar e abraçar o primeiro que aparecesse, mesmo que me empurrasse para longe e me chamasse de louca. Era tão vazio dentro de mim porque aquilo não era eu, era só o amontoado de coisas ruins que aconteceram. Eu quase me perdi dentro de alguém extremamente forte, por fora.
Não sei em que momento isso parou de acontecer. Não sei se foi quando minha mãe foi morar longe de mim e eu passei a dizer mil vezes o quanto sentia falta dela, o quanto a amava. Não sei se foi quando comecei um romance meio desastrado que dura até os dias de hoje. Não sei se foi quando estávamos nos formando no ensino médio e percebi que nunca mais passaria por aquela fase novamente, os amigos, as brincadeiras, o amor. Não sei se foi quando as pessoas que eu amava começaram a ir dessa para uma melhor, e eu sentia remorso por não ter dado todos os abraços que queria porque estava "me protegendo". Acho que estava me protegendo de mim mesma. Só sei que hoje, nesse momento, nada de ruim consegue me transformar no iceberg que fui.Agora, tais coisas estão me transformando em uma pessoinha melhor, mais cheia de amor (...)
Não sei em que fase você está, se ainda é você mesmo ou se já se esqueceu de quem foi. Só sei que nos dois casos não é tarde demais. Se as coisas ruins ainda não tomaram conta da sua alma, mantenha-se firme, conserve a beleza e a doçura que existe aí dentro, não deixe que congelem isso enquanto você respirar. Seja sempre fiel a você e tente aprender isso sem precisar passar pelo que nós passamos. E se não sabe mais como se livrar desse desconhecido que age por você, comece dando passos pequenos, comece lembrando de como era a vida sem esse desconhecido, resgate a sua essência. Descongele-a. Procure lembrar, e quando achar que é o momento, se entregue aos seus sentimentos mesmo que venham a te magoar novamente, porque já terá aprendido a separar as coisas ruins do que você é. Vai ter aprendido a vencê-las conservando os sentimentos bons.