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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Ainda estou no meio do caminho, do meu próprio caminho..


Li novamente o relato de uma atriz no instagram, ela falava sobre a luta contra a balança de uma vida inteira. Lembrei de mim e das coisas que tenho passado desde que nasci, mais dentro da minha família do que fora dela. Não sei se é o caso de vocês, mas a minha família é uma daquelas tradicionais, inclusive quando se trata de preconceito e eu entendo, é difícil desconstruir décadas de senso comum. Na luta contra a balança, eu destruí o meu corpo muitas vezes, cheguei a desenvolver bulimia, já estourei um dos meus joelhos forçando corridas e caminhadas, passei mal muitas vezes por ficar sem comer por muito tempo de propósito, as dietas loucas então? Foram tantas. E por mais que eu tentasse, só conseguia perder 2 ou 3 quilos, mas eu queria resultados imediatos.
Hoje eu me pego pensando, imediatos para quem? Será que para os tios que sempre comentavam o quanto eu havia ficado maior cada vez que me encontravam? Será que pelos garotos que só olhavam para as magrinhas com aquele rostinho perfeito? Será que pelo menos uma vez foi por mim? Eu queria ficar bonita mas eu já era bonita, só que nunca tinha ouvido isso de alguém, porque a primeira coisa que falavam era o quanto eu tinha engordado, não comentavam sobre as minhas boas notas, nem sobre eu ser uma ótima filha ou sobre ter passado no vestibular. Sempre era resumida à estética, e isso me influenciou a vida inteira. Já tive aquele corpo que dá até para deixar a barriguinha de fora, e mesmo assim ainda não era adequada. 
Talvez eu só quisesse emagrecer para poder passar desapercebida nas reuniões de família, para não ser motivo de piadinhas de gordo, ou só para poder comer em paz, sem alguém me dizendo para não comer demais "porque você já é gordinha ein?" E talvez cada um de nós vivesse não para agradar os outros, nem para receber elogio, mas para passar desapercebido, para se sentir bem com quem você ama, para rir com mais liberdade, porque querendo ou não aquela tia que te chama de "gorda" ou de "magrela", acaba tirando a tua espontaneidade e prazer de estar ali. Quem sente muito como eu, com certeza já ficou meio "pra baixo" com comentários negativos sobre a sua aparência, seu jeito, suas escolhas, sua vida.
Demorei muito tempo para saber contornar ou enfrentar tais situações, para entender que ser chamada de "gorda" não é ofensa, e demorei muito mais tempo para gostar de mim, porque quando eu olhava no espelho eu só via os quilos a mais que disseram que ganhei, só via que o meu rosto era até bonito e só precisava dar uma "secada", só via todos os comentários negativos, e eu chorava muito por não ser capaz de mudá-los da noite para o dia. Então, eu comecei primeiro gostando dos meus olhos, passei a reparar mais em como eles eram charmosos, puxadinhos; depois de um tempo a minha boca chamou a minha atenção, era de um tamanho fofo; meu cabelo era mais curto na época, então eu deixei crescer e quando cresceu percebi que nunca havia visto um mais lindo do que ele. 
Fui encontrando partes bonitas em mim e quando me dei conta, juntando todas elas, me deparei com uma garota incrivelmente linda, totalmente fora dos padrões, escondida entre tantos comentários destrutivos. Como diria a Carolinie Figueiredo: "adoraria terminar o texto dizendo: agora me amo como sou, assumi minhas marcas porque elas construíram quem eu sou, se possível postando minha foto lacradora de biquíni. Mas acontece que nessa minha jornada de amor próprio e aceitação eu estou engatinhando e ainda oscilo entre "vou fazer a louca esculpir meu corpo e arrasar" e "dane-se, vou ser quem sou e me aceitar de vez". Eu ainda estou no meio do caminho, do meu próprio caminho." E tudo bem, contanto que não desista dele.

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